Esta primeira parte traz como tema a simplicidade das palavras insertas no título e a ciência nelas contida, embora de forma usual. Dinâmica é movimento, conjunto, que cria vida, simbolismos na interação entre os seres. A Comunicação é a essência da transmissão de dados ou informações. Segundo o dicionário Aurélio, a palavra Dinâmica significa: “parte da mecânica que estuda o movimento dos corpos, relacionando-os às forças que o produzem” e a palavra Comunicação é: “ato ou efeito de emitir, transmitir e receber mensagens por meio de métodos e/ou processos convencionados, quer através da linguagem falada ou escrita, quer de outros sinais, signos ou símbolos, quer de aparelhamento técnico especializado, sonoro e/ou visual”, portanto, são informações ou dados com movimento.
Concomitante vale comentar sobre o tema memórias, filtros e mapas, pois estes limitam ou não as informações, que outrora foram gravadas ou registradas no cérebro, por experiências pessoais ou de outras pessoas, como por exemplo, as histórias contadas pelos nossos pais ou pelos pais dos nossos pais, herança genética, pela cultura local, tradições e sociedade. São idéias que temos sobre determinados assuntos e delineiam as nossas decisões. Mapa é definido por Josefh O’Connor da seguinte forma:
É o que percebemos filtrados por nossas experiências pessoais e únicas, nossa cultura, nossa linguagem, nossas crenças, nossos valores, interesses e pressuposições. Vivemos em nossa própria realidade, construída a partir de nossas impressões...
Portanto, somos orientados pelo o que é construído no cérebro e por ele registrado, ou seja, cada um tem a sua experiência e isto se torna uma verdade, um filtro.
O cérebro processa as informações em função do que vimos, sentimos e/ou ouvimos, internaliza, filtra e externaliza verbalmente e/ou corporalmente. Porém, como o raciocínio é mais rápido do que a verbalização, o corpo se comunica antes de pronunciarmos as palavras, fornecendo informações não verbais ao observador. O convite é para estarmos atentos a estes sinais, como observar o processo de internalização e externalização das informações pelos intercomunicadores e estes de início, podem ser emocionais ou racionais e dão-nos uma linguagem ou linha a ser seguida. Vale relembrar que para destros o processamento emocional ocorre no lado direito do cérebro e este comanda o lado esquerdo da pessoa, o racional é administrado pelo lado esquerdo do cérebro e este comanda o lado direito da pessoa. A título de observação, se a pessoa for canhota o sistema funciona de forma inversa.
A dinâmica da divisão cerebral tem influência na comunicação, pois torna possível analisar o sincronismo ou assincronismo das mãos e braços. Como por exemplo, quando o orador fala movimentando a mão direita, sugerindo (não obrigatoriamente) que a comunicação está no campo racional e, com a mão esquerda sugere no campo emocional, assim como quando o orador usa movimentos das mãos sincronizados indicando determinado equilíbrio na verbalização.
Na posição corporal pode-se verificar, por exemplo, para qual lado o corpo está voltado. Gestos indicando para direita ou para esquerda, para frente ou para traz, a posição dos olhos e os seus movimentos podem fornecer informações relevantes, dentre elas, de emoção ou de razão, de lembrança ou de construção, de congruência ou de incongruência.
A intenção de analisar estas informações é perceber se o que a pessoa fala está de acordo com o que ela demonstra na fisiologia, pelos movimentos do corpo, posto que este se comunica antes da pronunciação verbal, uma vez que o cérebro interpreta a informação em função dos registros, confronta com os mapas, filtra, omite, distorce e generaliza, demonstrando na fisiologia este processo, para somente depois verbalizar. Pode-se afirmar que significativa parte da dinâmica na comunicação é pré-verbal (não verbal) e o verbal serve apenas para externar o resultado do processo de confrontação interno. Desta forma, torna-se possível analisar a coerência entre a comunicação não verbal com a comunicação verbal.
Para compreender este universo da comunicação, a arte da Programação Neurolinguística (PNL) é uma ferramenta extraordinária, visto que explora o contexto, o verbal e o não verbal de forma profissional, ética e tênue.
Por fim, acredita-se que estas breves palavras despertem curiosidade sobre a dinâmica da comunicação, abrindo um leque de possibilidades conduzindo ao além do que é falado. Esta abordagem é curiosa e intrigante e propicia uma jornada pela neurociência, fisiologia, geografia sistêmica e por último, mas não menos importante, a Programação Neurolinguística (PNL) e o Coaching.
Ricardo Fialho Dutra